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Vaticano mantém condenação de ativistas por danos a escultura

Ambientalistas colaram as próprias mãos em uma obra em 2022

Ester Goffi e Guido Viero foram condenados a nove meses de prisão

Redazione Ansa

(ANSA) - Um tribunal do Vaticano rejeitou nesta terça-feira (12) um recurso apresentado pela defesa de dois ativistas do grupo Última Geração que foram condenados por danificarem uma escultura exposta nos chamados "Museus do Papa" em agosto de 2022.

A Corte de Recursos do tribunal da Santa Sé confirmou a sentença aplicada no dia 12 de junho de 2023 de nove meses de prisão e uma indenização de 28.148 euros, além dos custos judiciais, aos ativistas italianos Ester Goffi e Guido Viero.

Em agosto de 2022, a dupla colou suas mãos na base da icônica "Laocoonte e Seus Filhos", feita pelos escultores Agesandro, Atenodoro e Polidoro e exibida nos Museus Vaticanos. A ação danificou a antiga estátua em mármore.

A pena de prisão para os ambientalistas foi suspensa, mas eles precisarão pagar uma multa de 1,5 mil euros pelos danos provocados e outra de 2 mil euros por transgressão, além da indenização de mais de 28 mil euros.

Durante a audiência, tanto a parte civil quanto a defesa foram ouvidas novamente, enquanto que uma manifestação em solidariedade aos ativistas foi realizada no exterior do tribunal, na Piazza Risorgimento.

"Eu e Guido fizemos esta ação movidos pelo amor e pelo cuidado, absolutamente sem violência. O que é violência? Será que permanece indiferente em relação ao colapso ou procura uma forma de chamar a atenção para que o desastre seja estancado? Nunca tivemos a intenção de causar danos, mas de levantar um grito de alerta", justificou Goffi, ativista pelo clima e historiadora de arte de 28 anos.

Em nota enviada à ANSA, o Última Geração afirmou que "a condenação tão severa parece desproporcional ao ato em si e ainda mais chocante com os apelos do papa Francisco no enfrentamento da crise climática, à qual dedicou duas encíclicas: Laudato Si (2015) e Laudate Deum (2023)".

Segundo o movimento, "Ester e Guido não tinham intenção de cometer danos, na verdade agiram com um profundo sentimento de cuidado com a proteção da nossa sociedade e do nosso meio ambiente".

Além disso, destacou que "a ação simbólica de agosto de 2022 deve ser lembrada como um ato de protesto em nome da paz e da proteção do nosso ecossistema, fonte da nossa sobrevivência".

"Tal como Laocoonte, os cientistas e ativistas são as testemunhas que tentam alertar aqueles que os rodeiam sobre as consequências que as ações de hoje terão no futuro", acrescenta o texto, destacando que "foi o próprio papa Francisco quem declarou que os jovens de hoje são a 'última geração para salvar'". (ANSA).
   

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