Economia

Certares vence Lufthansa em disputa pela ITA Airways

Governo italiano abriu negociações exclusivas com o grupo

ITA Airways é totalmente controlada pelo governo italiano

Redazione Ansa

(ANSA) - O governo da Itália abriu negociações exclusivas com um consórcio formado por Certares, Delta Air Lines e Air France-KLM para a venda da ITA Airways, companhia aérea estatal criada para substituir a Alitalia.

Por meio de um comunicado divulgado nesta quarta-feira (31), o Ministério do Tesouro diz que a oferta do trio "foi considerada mais alinhada com os objetivos fixados", superando a proposta da empresa alemã Lufthansa e do grupo suíço de navegação MSC.

"Após a conclusão da negociação exclusiva, a assinatura dos acordos vinculantes será feita apenas na presença de conteúdos plenamente satisfatórios para o acionista público", afirma a nota do governo, que detém 100% das ações da ITA e deseja manter uma fatia minoritária.

A Certares é uma empresa de private equity dos Estados Unidos com forte atuação no setor aéreo, incluindo uma participação na companhia brasileira Azul. Sua oferta prevê a compra de 50% mais uma ação da ITA por 700 milhões de euros, com um subsequente aumento de capital de 1,250 bilhão de euros, sendo 650 milhões da parte do governo e 600 milhões da Certares.

A Itália também teria o direito de nomear o presidente do conselho da companhia aérea, que assinaria parcerias comerciais com a americana Delta e o grupo franco-holandês Air France-KLM, ex-acionista da Alitalia.

"Estamos firmemente convencidos da nossa visão para o desenvolvimento da empresa e esperamos poder implantar os acordos vinculantes", disse a Certares.

Derrotada na disputa, a Lufthansa divulgou uma nota em que afirma que o governo italiano escolheu uma proposta que permitirá uma "maior influência do Estado" na gestão da ITA. "Do nosso ponto de vista, nossa oferta com a MSC era e continua sendo a melhor solução", acrescenta o comunicado.

A Italia Trasporto Aereo (ITA) foi criada para superar de forma definitiva a crônica crise na agora extinta Alitalia, que deixou de operar em outubro de 2021. A nova empresa nasceu com cerca de 8 mil funcionários a menos e uma frota mais enxuta, além de não ter relação com os passivos deixados por sua antecessora.

O objetivo do gabinete do premiê Mario Draghi é concluir a transação rapidamente para evitar que a troca de governo após as eleições de 25 de setembro paralise o processo. A candidata líder nas pesquisas, Giorgia Meloni, de extrema direita, já indicou que poderia rever a venda da ITA e até mantê-la como empresa estatal.

"Lembro que o atual governo deve fazer apenas coisas mínimas, já que o Parlamento foi dissolvido, então não acredito que uma matéria tão estratégica seja de competência deste governo", afirmou Meloni nesta quarta.

"Não podemos fazer o papelão de ser o único grande país ocidental sem uma companhia aérea de bandeira. É mais um pedaço da Itália que se vai, e farei o que eu puder para impedir", acrescentou. (ANSA)

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