Política

Cárcere dos torturadores de Pinochet divide Chile

Aniversário do golpe reabre debate sobre Punta Peuco

Manifestantes têm relembrado golpe por ocasião dos 50 anos

Redazione Ansa

(ANSA) - Por Patrizia Antonini - O aniversário dos 50 anos do golpe que derrubou o governo de Salvador Allende no Chile reabre o debate sobre o cárcere especial de Punta Peuco, onde estão os torturadores da ditadura do general Augusto Pinochet, detidos em condições superiores às das penitenciárias comuns do país.

Atualmente estão na prisão mais de 130 ex-militares, em sua maioria com mais de 70 anos, ex-agentes da Dina e do CNI - serviços de inteligência do regime autoritário - responsáveis por execuções, desaparecimentos e torturas.

Os parlamentares progressistas pedem ao governo de Gabriel Boric que a prisão seja convertida em um centro para presas grávidas ou com crianças de colo, e que os ex-militares sejam transferidos a uma prisão para crimes comuns.

Entre os defensores da iniciativa, que sofre oposição da direita, está o socialista Juan Santana, que em agosto organizou um abaixo-assinado.

"Acreditamos que seja necessário que o governo dê um sinal de reparação. Não é uma vingança, como definiram alguns colegas da oposição de direita", declarou, em entrevista a um veículo de imprensa local.

"Não é razoável que haja privilégios para pessoas que cometeram crimes contra a humanidade", acrescentou.

Também insistem no fechamento da prisão especial os familiares das vítimas e dos desaparecidos da ditadura.

Tanto o presidente Boric, quanto a porta-voz do governo Camila Vallejo, quanto o ministro da Justiça Luis Cordero falaram sobre a questão, e embora ainda não haja uma decisão, o Palácio de La Moneda não excluiu a possibilidade de iniciativas.

Por outro lado, a questão é muito delicada, pensando por exemplo que a ex-presidente Michelle Bachelet tentou, em 2018, fechar Punta Peuco. Ao fim do mandato, pediu ao então ministro da Justiça Jaime Campos que interviesse no cárcere especial, mas acabou diante de uma porta fechada.

Além disso, segundo observadores, um plano de fechamento do presídio poderia exacerbar ainda mais os ânimos, em uma atmosfera que a poucos dias do 11 de setembro - data em que o golpe ocorreu em 1973 - parece cada vez mais tensa.

Com as forças de direita - da coalizão Chile Vamos aos Republicanos de José Antonio Kast - que oficialmente anunciaram que não querem aderir à declaração unitária proposta por Boric sobre o empenho pela proteção da democracia e dos direitos humanos do país. (ANSA).
   

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