Política

Toffoli anula provas e diz que prisão de Lula foi 'armação'

Decisão cancelou acordo de leniência com a Odebrecht

Segundo Toffoli, prisão de Lula foi 'ovo da serpente dos ataques à democracia'

Redazione Ansa

(ANSA) - O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou hoje (6) todas as provas obtidas no acordo de leniência da empreiteira Odebrecht com os procuradores da Operação Lava Jato e classificou como "armação" a prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2018.

Toffoli, nomeado ao STF pelo próprio Lula em 2009, aceitou um pedido da defesa do petista e determinou que as provas obtidas pela Lava Jato no âmbito do acordo de leniência com a Odebrecht, pivô de escândalos de corrupção na política brasileira, são "imprestáveis", dado que foram obtidas por meios "heterodoxos e ilegais".

Dessa forma, o ministro disse que esses elementos não poderiam ter sido utilizados em processos criminais e eleitorais.

No parecer, Toffoli afirma ainda que a prisão de Lula, resultado de um processo da Lava Jato, mas sem ligação com a Odebrecht, foi uma "armação fruto de um projeto de poder de determinados agentes públicos em seu objetivo de conquista do Estado".

"Foi o verdadeiro ovo da serpente dos ataques à democracia e às instituições que já se prenunciavam em ações desses agentes contras as instituições e o próprio STF", acrescenta o ministro.

Lula foi preso em abril de 2018, após ter sido condenado em segunda instância a 12 anos e um mês de cadeia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acusado de ganhar um tríplex em Guarujá (SP) como propina da construtora OAS.

O petista, que sempre negou ser o proprietário do imóvel, passou 580 dias encarcerado e só foi libertado em novembro de 2019, após o STF mudar seu entendimento e proibir prisão imediatamente após a condenação em segunda instância. Mais tarde, o Supremo também anularia todas as sentenças contra Lula no âmbito da Lava Jato.

Em sua decisão, Toffoli também determinou que sejam feitas investigações sobre possíveis ilegalidades cometidas pela Lava Jato, o que abre caminho para ações judiciais contra membros da operação, como o deputado cassado e ex-procurador Deltan Dallagnol.

Já o ex-juiz e senador Sérgio Moro, que julgou processos da Lava Jato na primeira instância, escreveu no Twitter que a "corrupção nos governos do PT foi real". "Criminosos confessaram e mais de R$ 6 bilhões foram recuperados para a Petrobras. Esse foi o trabalho da Lava Jato, dentro da lei, com as decisões confirmadas durante anos pelos tribunais superiores. Lutaremos, no Senado, pelo direito à verdade, pela integridade e pela democracia", acrescentou. (ANSA)

Leggi l'articolo completo su ANSA.it