Política

Ativistas ocupam consulado húngaro em Veneza por 'caso Salis'

Italiana foi detida em Budapeste e acorrentada em julgamento

Redazione Ansa

(ANSA) - Um grupo de manifestantes realizou nesta sexta-feira (9) um protesto no consulado húngaro em Veneza para exigir a libertação de Ilaria Salis, militante antifascista acusada de agressão contra ativistas de extrema-direita e detida em Budapeste.

A professora de 39 anos, que supostamente atacou dois neonazistas em fevereiro passado, foi levada a uma audiência no último dia 29 de janeiro acorrentada pelas mãos, pés e cintura, em imagens que chocaram a Europa.

Ao todo, 30 membros do centro social de esquerda "Rivolta" ocuparam as instalações na Piazzale Roma ao mesmo tempo que o ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, visitava a cidade vizinha de Pádua e apelaram pela "libertação de Ilaria Salis imediatamente".

"Estamos aqui porque queremos a sua liberdade, porque este julgamento é uma farsa que pretende apenas punir o antifascismo, em um estado onde as patrulhas fronteiriças contra migrantes não são apenas toleradas, mas promovidas", afirmaram os ativistas.

Para os manifestantes, esta "é uma política antidemocrática".

"Somos todos antifascistas", gritaram eles, que foram acompanhados por agentes da Divisão de Investigações Gerais e Operações Especiais (Digos) de Veneza.

Durante o protesto, que terminou sem incidentes, os ativistas também reiteraram a necessidade de proteger os direitos humanos de Salis e daqueles que se encontram na mesma situação e atacaram o governo da premiê italiana, Giorgia Meloni, acusando-o de endurecer as penas e intervir sempre numa perspectiva repressiva.

O ato foi alvo de críticas por parte da senadora veneziana Mara Bizzotto, vice-presidente do partido ultranacionalista Liga no Palazzo Madama.

"O que aconteceu em Veneza, onde os centros sociais ocuparam o Consulado Húngaro, é muito grave. Sabe-se, segundo relatos da mídia, que Salis e seus amigos dos centros sociais são especialistas em ocupações. Será que uma certa classe política de esquerda, democrática apenas nas palavras, se distanciará destas ações inaceitáveis?", questionou ela.

Salis foi presa em Budapeste em fevereiro de 2023, após uma manifestação contra um comício neonazista que celebrava o "Dia de Honra", em homenagem a um regimento nazista da Segunda Guerra Mundial. Ela foi acusada de três denúncias de tentativa de agressão e acusada de fazer parte de uma organização de extrema esquerda.

No entanto, a italiana nega as acusações, que podem levá-la a até 24 anos de prisão. Relatos recentes divulgados pela imprensa apontam que Salis enfrenta condições precárias na prisão, como percevejos, ratos, sujeira e punições desumanas, o que provocou um protesto público na Itália.

A família e os advogados de Salis pedem que ela seja libertada para prisão domiciliar na Hungria ou na Itália, enquanto se aguarda a conclusão de seu julgamento, cuja data foi adiada para 24 de maio. (ANSA).
   

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